O Brasil colheu, em 2025, os melhores resultados de combate ao desmatamento em mais de uma década — mas o placar ainda está longe de zerado. Reunimos os dados mais recentes do INPE e do MapBiomas para entender onde estamos.
O que os números mostram
A Amazônia registrou 5.731 km² desmatados em 2025, o menor índice em 11 anos e uma queda de 11% frente a 2024. O Cerrado também recuou 11,5%, mas segue como o bioma mais afetado em área total: mais da metade de todo o desmatamento do país acontece ali. Já o Pantanal foi o destaque absoluto — queda de 65% na devastação, resultado de uma recuperação depois do ano crítico de 2024, marcado por incêndios extremos.
Nem tudo é queda, porém. A Caatinga foi na contramão em 2024, com aumento de quase 10%, incluindo o maior alerta individual já registrado pelo MapBiomas: um único imóvel rural no Piauí perdeu 13,6 mil hectares em três meses — o equivalente a 6 hectares por hora.
O Pampa e o Rio Grande do Sul
O Pampa, bioma que ocupa boa parte da metade sul do Rio Grande do Sul, também registrou queda no desmatamento em 2024: cerca de 20% a menos que no ano anterior, segundo o INPE. É o bioma com a menor área desmatada entre os seis, em termos absolutos.
Mas o dado positivo esconde uma fragilidade histórica: o Pampa é o bioma menos protegido do Brasil. Apenas 3% do seu território está dentro de unidades de conservação — bem abaixo da meta internacional de 30% de proteção até 2030, assumida pelo país no Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal. Isso faz com que pequenas perdas de vegetação nativa tenham um peso proporcional maior sobre a saúde do bioma, que já perdeu parte relevante de seus campos nativos para a expansão de monoculturas.
O padrão por trás desses números é claro: mais de 97% da destruição de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos está ligada à expansão da agropecuária.
Um plano para cada bioma
Pela primeira vez na história, o Brasil tem planos de prevenção e controle de desmatamento e queimadas para os seis biomas — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. O plano do Pampa está entre os mais recentes, formalizado apenas em 2025, junto com o da Mata Atlântica — completando um ciclo que já existia para Amazônia e Cerrado há mais tempo.
Isso significa, na prática, que cada bioma passa a ter metas, orçamento e instrumentos de fiscalização próprios — reconhecendo que Cerrado, Caatinga e Pampa, historicamente menos monitorados que a Amazônia, também precisam de estratégias específicas.
A meta de 2030
O governo brasileiro assumiu o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Com a trajetória de queda observada em 2025 e no primeiro semestre de 2026 — quando a Amazônia teve o menor índice para o período em uma década —, autoridades já falam em atingir a menor taxa da série histórica na Amazônia neste ano.
O desafio é sustentar esse ritmo em meio a pressões opostas: de um lado, o avanço da fiscalização; de outro, mudanças legislativas recentes — como a nova Lei de Licenciamento Ambiental e o enfraquecimento da Moratória da Soja — que preocupam especialistas quanto ao risco de reverter os ganhos conquistados.
Fontes: INPE/PRODES, MapBiomas, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (dados de 2025 e 1º semestre de 2026).
